sábado, 6 de março de 2010

Com licença poética

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.


(Adélia Prado)

2 comentários:

Luciana Onofre disse...

Olá!
Te convido ao Dia sem Carne:
http://sementeperegrina.blogspot.com/2010/03/dia-sin-carne.html

Um abraço,

Luciana Onofre

Sonia Pallone disse...

Gosto de vir aqui te ler. Bjs.