quinta-feira, 11 de junho de 2009



Medo de se apaixonar
Você tem medo de se apaixonar. Medo de sofrer o que não está acostumada. Medo de se conhecer e esquecer outra vez. Medo de sacrificar a amizade. Medo de perder a vontade de trabalhar, de aguardar que alguma coisa mude de repente, de alterar o trajeto para apressar encontros. Medo se o telefone toca, se o telefone não toca. Medo da curiosidade, de ouvir o nome dele em qualquer conversa. Medo de inventar desculpa para se ver livre do medo. Medo de se sentir observada em excesso, de descobrir que a nudez ainda é pouca perto de um olhar insistente. Não suportar ser olhada com esmero e devoção. Nem os anjos, nem Deus agüentam uma reza por mais de duas horas. Medo de ser engolida como se fosse líquido, de ser beijada como se fosse líquen, de ser tragada como se fosse leve. Você tem medo de se apaixonar por si mesma logo agora que tinha desistido de sua vida. Medo de enfrentar a infância, o seio que criou para aquecer as mãos quando criança, medo de ser a última a vir para a mesa, a última a voltar da rua, a última a chorar. Você tem medo de se apaixonar e não prever o que pode sumir, o que pode desaparecer. Medo de se roubar para dar a ele, de ser roubada e pedir de volta. Medo de que ele seja um canalha, medo de que seja um poeta, medo de que seja amoroso, medo de que seja um pilantra, incerta do que realmente quer, talvez todos em um único homem, todos um pouco por dia. Medo do imprevisível que foi planejado. Medo de que ele morda os lábios e prove o seu sangue. Você tem medo de oferecer o lado mais fraco do corpo. O corpo mais lado da fraqueza. Medo de que ele seja o homem certo na hora errada, a hora certa para o homem errado. Medo de se ultrapassar e se esperar por anos, até que você antes disso e você depois disso possam se coincidir novamente. Medo de largar o tédio, afinal você e o tédio enfim se entendiam. Medo de que ele inspire a violência da posse, a violência do egoísmo, que não queira repartir ele com mais ninguém, nem com seu passado. Medo de que não queira se repartir com mais ninguém, além dele. Medo de que ele seja melhor do que suas respostas, pior do que as suas dúvidas. Medo de que ele não seja vulgar para escorraçar mas deliciosamente rude para chamar, que ele se vire para não dormir, que ele se acorde ao escutar sua voz. Medo de ser sugada como se fosse pólen, soprada como se fosse brasa, recolhida como se fosse paz. Medo de ser destruída, aniquilada, devastada e não reclamar da beleza das ruínas. Medo de ser antecipada e ficar sem ter o que dizer. Medo de não ser interessante o suficiente para prender sua atenção. Medo da independência dele, de sua algazarra, de sua facilidade em fazer amigas. Medo de que ele não precise de você. Medo de ser uma brincadeira dele quando fala sério ou que banque o sério quando faz uma brincadeira. Medo do cheiro dos travesseiros. Medo do cheiro das roupas. Medo do cheiro nos cabelos. Medo de não respirar sem recuar. Medo de que o medo de entrar no medo seja maior do que o medo de sair do medo. Medo de não ser convincente na cama, persuasiva no silêncio, carente no fôlego. Medo de que a alegria seja apreensão, de que o contentamento seja ansiedade. Medo de não soltar as pernas das pernas dele. Medo de soltar as pernas das pernas dele. Medo de convidá-lo a entrar, medo de deixá-lo ir. Medo da vergonha que vem junto da sinceridade. Medo da perfeição que não interessa. Medo de machucar, ferir, agredir para não ser machucada, ferida, agredida. Medo de estragar a felicidade por não merecê-la. Medo de não mastigar a felicidade por respeito. Medo de passar pela felicidade sem reconhecê-la. Medo do cansaço de parecer inteligente quando não há o que opinar. Medo de interromper o que recém iniciou, de começar o que terminou. Medo de faltar as aulas e mentir como foram. Medo do aniversário sem ele por perto, dos bares e das baladas sem ele por perto, do convívio sem alguém para se mostrar. Medo de enlouquecer sozinha. Não há nada mais triste do que enlouquecer sozinha. Você tem medo de já estar apaixonada.

(Fabrício Carpinejar)

4 comentários:

Tathiane Galdino disse...

Eu não tenho medo de me apaixonar! Agora mesmo estou vivendo o amor mais louco de toda minha existência e por esse amor sou capaz de tudo... Por ele eu me exponho, eu grito, eu choro, dou vexame na rua! Perdi toda vergonha que eu tinha na cara! M as o pior de tudo isto ´´e que eu estou feliz... ouso até a dizer que nunca fui tão feliz. Minha vida com ele nunca é rotina...Estamos em vários lugares ao mesmo tempo, conhecemos os mais diversos tipos de lugares e pessoas... Mas nunca me vi refletida em alguém como me vejo nele... é a paixão faz dessas coisas com a gente!

Um grande abraço! Quando puder visite o meu blog de poemas.

Fernanda disse...

olá que cantinho lindo parabéns te desejo uma linda quinta te ofereço meu award e te convido a conhecer o meu cantinho bjs e até mais

Anônimo disse...

Oração da amizade...

Jesus, obrigada por tudo com o que o Senhor
me presenteou até agora.
Obrigada pela saúde que não me faltou,pela minha família, pela minha casa,
pelo alimento que nela entrou, pelo trabalho.
Obrigada por tudo o que me deu com amor,como ensinamento.

Ah Senhor....
Quero agradecer especialmente por um ser humano que cruzou o meu caminho.
Este ser humano Jesus,
Tornou-se um grande e eterno amigo...
Uma pessoa que já é tão especial pra mim...
Peço Senhor que ilumine todos os seus passos
e o guarde de todo mal.
Traga sua família sempre unida...
abençoando cada membro dela.
Quero agradecer-lhe Jesus, de todo coração,
Pois entre tudo que ganhei,
Este foi o maior e melhor presente.

Ahh, esqueci de dizer:
A pessoa a quem me refiro é a mesma que está acabando de ler essa mensagem."
Amém...

Edimar Suely
jesusminharocha.blig.ig.com.br

Sonia Pallone disse...

Nossa! Fiquei sem fôlego, esse texto é tão ótimo quanto verdadeiro! Gostei desse teu jeito de dizer o amor ...com a loucura e a poesia jorrando do teu coração, fluindo e deitando-se nas telas...

www.solidaodealma2.blogspot.com